Querido hijo
Cuando naciste, los médicos usaron un aparatico cinturón en mi panza para contar cuántas veces latía tu corazón y cuántas veces yo empujaba para que salieras. En un punto de toda esa faena que es tener un bebé, yo me quité todos los cables porque me sobraban. Yo necesitaba moverme, ponerme de cuclillas y oír tu latido de otra manera: desde adentro.
Así naciste.
Querido hijo, cuando conociste por primera vez a tu abuelo Darío, usé mi celular para hacer una foto de ese momento tan bonito. Te cogió en sus brazos y te tocó la frente suavecito como para comprobar que no eras de plastilina. Yo me acuerdo que cuando la estaba tomando pensaba: «Ay qué feo el fondo, ay se ve el baño, ay el desorden del cuarto, ay la luz podría mejorar, ay! tal vez el ángulo funciona mejor por aquí, ay no cumple la ley de los tres tercios! Y otras cosas raras que decimos a veces los adultos». Pero tomé la foto así, de todas formas. ¡Y menos mal! Porque cuando me siento cansada y un poco distraída, mirar esa foto funciona como uno de los imanes de tu nevera: me pegan al suelo con mucha fuerza y me hacen sonreír.
Martín, cuando me estrené como mamá, tenía mucho miedo (ahora un poquito menos) de saber cómo hacerlo. Te explico mejor: Hay muchas formas de hacer un ponqué, ¿cierto? Pues lo mismo pasa con las mamás, se puede ser de distintas formas, pero al principio no conoces muy bien la receta y todo se siente muy difícil y nuevo. Hay que ensayar mucho. Para darme ideas y no sentirme sola, me metía en el celular a ver videos de otra gente que sabe muchas cosas sobre cómo ser mamá. Y miraba y miraba a ver si aprendía. Pero me di cuenta que mis ojos se cansaban mucho y me dolía el pelo después de ver tantas cosas así. A veces, incluso, me daban ganas de llorar. Lo que pasaba, es que en esos videos veía personas, pero nadie me miraba a mí. Nadie me preguntaba cómo estaba yo. Nadie sabía mi nombre. Entonces un día, en vez de ver videos, llamé por zoom a una amiga que se llama «Iliana la psicóloga» y ella me ayudó. Me hizo muchas muchas preguntas, como las que tú me haces a mí, y yo pasé mucho tiempo respondiéndolas frente a la pantalla de mi computador. A veces estabas tú incluso tomando teta mientras yo hablaba con Iliana, y ella me recordaba que si olía tu cabeza me iba a sentir mejor. ¡Funcionaba como magia! Ella me enseñó a estar más tranquila siendo mamá. Me acordó que está bien equivocarse y que muchas veces voy a tener miedo y no voy a saber qué hacer. Pero que cuando esto me pase, siempre puedo mirarte fijamente a los ojos por un ratito y seguro que se me ocurrirán buenas ideas.
Amore, cuando la abuelita Alelí dejó de vivir, muchos amigos de ella hicieron para tu Yayo y para mí, un lugar en internet que se llamaba: «grupo de Facebook – Recordando a Ángela». Como estábamos tan tristes, nos dejaban mensajitos diarios con cuentos y recuerdos de ella. También nos ayudaron a encontrar muchas fotos de sus viajes por Japón y de su tiempo con nosotros. Gracias a ese espacio digital que nos regalaron, hoy puedo mostrarte la foto de ella acariciando elefantes que tanto te gusta. También gracias a este espacio, tengo la receta de galletas de avena de la abuelita Alelí que puedes saborear cada semana.
Hijo mío, te estoy contando todo esto, porque en todas estas historias hay cosas digitales, o sea celulares, las pantallas, el internet o los e-lec-tro-car-dio-gra-mas. Estas cosas pueden ayudarnos a conectarnos con quienes más queremos o a inventar juegos buenísimos. Pero, lo digital es un poco como ese cinturón que me pusieron cuando ibas a nacer: daba muchas señales y pistas de cómo se escucha un corazón, pero a veces hay que quitárselo para escuchar desde adentro.
Amore, la tecnología digital va a crecer contigo y tú con ella. Vas a ser algún día un niño mayor y luego un adulto grandísimo y yo hoy te escribo esta historia para que siempre puedas volver a ella cuando sientas que te pierdas en el juego de la tecnología.
Filho querido,
Quando você nasceu, os médicos usaram um aparelhinho preso à minha barriga para contar quantas vezes o seu coração batia e quantas vezes eu fazia força para que você viesse ao mundo. Em um momento de todo aquele trabalho que é ter um bebê, tirei todos aqueles fios porque eles estavam me atrapalhando. Eu precisava me mover, agachar e ouvir seu coração de outro jeito: de dentro para fora.
E foi assim que você nasceu.
Meu querido, quando você conheceu seu avô Darío pela primeira vez, usei meu celular para tirar uma foto daquele momento tão bonito. Ele pegou você nos braços e tocou sua testa bem de leve, como se quisesse ter certeza de que você não era feito de massinha. Lembro que, enquanto tirava a foto, pensava: “Ai, que fundo feio. Ai, dá para ver o banheiro. Ai, a bagunça do quarto. Ai, a luz podia estar melhor. Ai! Talvez este ângulo funcione melhor. Ai, não respeita a regra dos terços!”. E outras coisas estranhas que os adultos às vezes dizem.
Mas tirei a foto assim mesmo. Ainda bem! Porque, quando me sinto cansada ou um pouco distraída, olhar para essa foto funciona como aqueles ímãs da sua geladeira: eles me prendem ao chão com força e me fazem sorrir.
Martín, quando me tornei mãe, eu tinha muito medo (agora um pouquinho menos) de saber como fazer tudo isso. Vou explicar melhor: existem muitas maneiras de fazer um bolo, certo? Com as mães acontece a mesma coisa. Há muitas formas de ser mãe, mas, no começo, você ainda não conhece muito bem a receita e tudo parece difícil e novo. É preciso experimentar bastante.
Para ter ideias e não me sentir sozinha, eu entrava no celular para assistir a vídeos de pessoas que sabiam muitas coisas sobre maternidade. E assistia, assistia e assistia para ver se aprendia. Mas percebi que meus olhos ficavam cansados e minha cabeça doía depois de ver tantas coisas. Às vezes, eu até sentia vontade de chorar.
O que acontecia era que, nesses vídeos, eu via muitas pessoas, mas ninguém me via. Ninguém me perguntava como eu estava. Ninguém sabia meu nome.
Então, um dia, em vez de assistir a vídeos, fiz uma chamada pelo Zoom para uma amiga chamada Iliana, a psicóloga. E ela me ajudou. Fez muitas e muitas perguntas, parecidas com as que você faz para mim, e eu passei muito tempo respondendo a elas diante da tela do computador.
Às vezes, você estava mamando enquanto eu conversava com a Iliana. E ela me lembrava de que, se eu cheirasse a sua cabecinha, me sentiria melhor. Funcionava como mágica! Ela me ensinou a ficar mais tranquila sendo mãe. Me lembrou de que tudo bem errar e de que muitas vezes vou sentir medo e não vou saber o que fazer. Mas que, quando isso acontecer, sempre posso olhar nos seus olhos por alguns instantes e, muito provavelmente, boas ideias vão surgir.
Amore, quando a vovó Alelí deixou este mundo, muitos amigos dela criaram para o seu Yayo e para mim um espaço na internet chamado “Grupo do Facebook – Lembrando de Ângela”. Como estávamos muito tristes, eles deixavam mensagens todos os dias com histórias e lembranças dela. Também nos ajudaram a encontrar muitas fotos das viagens dela ao Japão e dos momentos que viveu conosco.
Graças a esse espaço digital que nos deram de presente, hoje posso mostrar a você aquela foto dela acariciando elefantes, de que você tanto gosta. E também graças a esse espaço tenho a receita dos biscoitos de aveia da vovó Alelí, que você pode saborear toda semana.
Meu filho, estou te contando tudo isso porque, em todas essas histórias, existem coisas digitais: celulares, telas, internet ou e-le-tro-car-di-o-gra-mas. Essas coisas podem nos ajudar a nos conectar com quem mais amamos ou a inventar brincadeiras incríveis.
Mas o digital é um pouco como aquele aparelho que colocaram em mim quando você estava para nascer: ele dava muitos sinais e pistas sobre como ouvir um coração, mas, às vezes, é preciso tirá-lo para escutar o que vem de dentro.
Filho, a tecnologia digital vai crescer junto com você, e você junto com ela. Um dia você será um menino maior e, depois, um adulto enorme. E hoje escrevo esta história para que você possa voltar a ela sempre que sentir que está se perdendo no jogo da tecnologia.